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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O CANÁRIO NA MINA DE CARVÃO


Os dados macroeconómicos norte-americanos têm-se mantido resilientes, nomeadamente o mercado de trabalho, com os postos de trabalho criados a continuarem a sair mensalmente fortes, e a taxa de desemprego à volta dos 4%, em pleno emprego. Porém, o dado semanal, que é divulgado todas as quintas-feiras, os pedidos de subsídios de desemprego têm registado uma subida desde finais de dezembro do ano passado, algo que já não acontecia há 10 anos.
Poderá este dado ser um sinal avançado de dados menos favoráveis no mercado laboral? A expressão canário numa mina de carvão ("canary in the coal mine") refere-se a um determinado indicador avançado que indique um perigo à nossa volta, bastante próximo.

Antigamente era bastante comum levar canários para minas de carvão, de tal forma que se houvesse um gás nefasto, como metano ou monóxido de carbono, o canário morreria antes de este afetar os mineiros. Era, pois, como um aviso avançado da presença de um perigo iminente.
Por vezes, ainda hoje se utiliza essa expressão, nomeadamente nos países anglo-saxónicos, estamos na presença de um cenário idêntico ao “canário na mina de carvão”, quando nós achamos que problemas estarão para acontecer.

Existem vários fatores que podem influenciar o comportamento das bolsas e da economia nos próximos meses. Itália continua com um elevado nível de endividamento público, algo que não é de hoje, há mais de 30 anos que o país transalpino tem uma dívida pública à volta dos 120%. Além disso, Itália tem sempre alguma relutância em seguir as metas orçamentais estabelecidas por Bruxelas. Espanha em poucos anos vai outra vez a votos, com muita incerteza de como será o resultado e perante uma significativa dificuldade na formação de um governo estável, no próximo dia 28 de abril. De salientar aquando de eleições, surgem sempre novos movimentos independentistas da Catalunha que desestabilizam não só o país vizinho, mas também os países europeus que têm situações iguais, pondo em causa toda a Europa.
As tensões comerciais entre os EUA e a China ainda não atingiram um consenso duradouro. A economia chinesa continua a abrandar e a dívida deste país é significativa. A economia europeia tem sido revista em baixa e os problemas demográficos permanecem e causam pressão sobre a sustentabilidade da economia no longo prazo. A confiança dos empresários e dos consumidores tem diminuído em todos os países desenvolvidos do mundo nos últimos meses. As vendas a retalho nos EUA traduzem o valor mais baixo desde 2009. Estes factos podem implicar taxas de juros baixas por um período de tempo mais prolongado, criando um ambiente para maiores valorizações das ações e da taxa fixa, por via das recompras de ações próprias e captação de “dividend yield” atrativos face às baixas taxas de juro.

Em suma, serão precisos vários canários para entrarem em várias minas?

Paulo Rosa, Jornal Vida Económica, 22 fevereiro 2019




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Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.