Since December 25th, 2010

Translate

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O incumprimento da Grécia e o colapso do Lehman Brothers.


A queda do Lehman Brothers no dia 14 de Setembro de 2008, despoletou uma série de quedas diárias dos índices accionistas na casa dos 10%. O Dax de Frankfurt caiu cerca de 30% em apenas 3 dias. O inesquecível mês de Outubro de 2008, que fica indelevelmente ligado não só à História dos mercados financeiros, mas à própria História da humanidade.   
O mercado obrigaccionista (nomeadamente o corporate – obrigações das empresas, ou seja títulos que as empresas emitem para recolherem capitais alheios, pedidos de empréstimo que fazem através da emissão de obrigações e não indo directamente à banca. Pode sair mais barato, não ficam dependentes da banca e os bancos podem não ter liquidez de momento. Muitas obrigações das empresas são compradas pelos próprios bancos ou por fundos por eles geridos) registou também descidas muito significativas. Alguns bancos viram as cotações das suas obrigações valerem praticamente zero. Obrigações do Royal bank of Scotland estiveram a cotar a 15%, uma queda superior a 80%, face a cotações de 85% antes da queda do banco de investimento norte-americano.
Estivemos muito perto da ruptura do sistema financeiro mundial.
Lembro-me de ter dito a um amigo que jamais iríamos assistir a uma situação semelhante, durante a nossa vida. Hoje digo, com algum receio, que provavelmente estava errado quando referi o jamais...

A História jamais se repete, mas tem a natureza de ser parecida. A queda da Grécia, precipitaria uma reacção em cadeia de consequências incomensuráveis. A Moody’s ameaçou hoje a descida do rating de bancos franceses, devido à sua exposição à dívida grega. O BCE detém, provavelmente, mais de 100 mil milhões de euros de dívida grega. O BCP seria um banco penalizado. Bancos alemães e ingleses também têm exposição. A seguir seria o efeito dominó, devido à interligação de todo o sistema financeiro. Bancos sem qualquer ligação à dívida grega, pelo menos directamente, ver-se-iam envolvidos, porque têm participações em bancos com exposição à dívida da Grécia. A dívida pública grega ascende a cerca de 350 mil milhões de euros, quase 1% do PIB mundial e cerca de 4% do PIB da Zona Euro. Qualquer reestruturação implicaria uma violação de obrigações legais que, provavelmente, teria um efeito sistémico mais negativo do que a catástrofe do Lehman Brothers. Irão os gregos hipotecar as suas ilhas? A Deutsche Telekom já detém 30% da Hellenic Telecom, enquanto o Estado grego já só tem em sua posse 10%.

No dia 15 de Setembro de 2008, as dívidas do lehman Brothers foram estimadas em 100 mil milhões de euros. O efeito em cadeia, levou a perdas avultadas noutras instituições financeiras, pelo que foi aprovado um pacote de emergência financeiro no montante de 700 mil milhões de dólares (cerca de 500 mil milhões de euros), denominado de Plano Paulson. Perante a dívida grega de 350 mil milhões, os efeitos colaterais no sistema financeiro seriam superiores a um bilião de euros (quase 3% do PIB mundial)?

O colapso do Lehman Brothers, foi considerado mais tarde como um erro. Se realmente foi um erro, então deixar o Estado grego entrar em incumprimento será, provavelmente, um erro ainda maior…

Paulo Monteiro Rosa, economista. 15 Junho de 2011

Arquivo do blogue

Seguidores

Economista

A minha foto
Naturalidade Angolana
Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.