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terça-feira, 10 de julho de 2012

Benefícios de um Purgatório: O Primeiro Excedente Comercial em Democracia

O Banco de Portugal divulgou hoje que espera um excedente comercial já para este ano de 2012. Feito inédito em democracia.

E para o ano de 2013, o Banco de Portugal espera que a Balança de Transacções Correntes também já seja positiva.

Em suma, a nossa economia já não irá precisar de financiamento externo e passaremos a ser credores... Temos, ainda, a dívida acumulada para trás e para além disso as contas públicas necessitam de mais esforços para regressarem ao equilíbrio, que demorará anos...

Foi preciso recorrer à troika para termos o primeiro excedente comercial em democracia. Consumirmos menos do que aquilo que produzimos. Foi e continua a ser preciso purgar a economia portuguesa, para mais tarde recolher os benefícios deste purgatório. 

A troika dita regras e imposições. A troika dita metas a atingir. A troika dita meios e caminhos  que devem ser percorridos. A troika é uma ditadura? Não. Apenas se pauta pelo rigor e pela construção de alicerces robustos para um crescimento económico sustentável...  

Os denominados sacrifícios, apelidados de austeridade, não são mais que ajustamentos económicos que começam a dar os seus primeiros frutos e de muito boa qualidade.

A contracção do rendimento disponível levou os portugueses a comprarem menos produtos importados e também a retraírem-se no consumo interno, tendo as empresas portuguesas que procurar novas zonas geográficas para escoar os seus produtos, que antes vendiam em Portugal. Algumas empresas com dificuldades nos últimos anos e nomeadamente de há um ano a esta parte conseguiram sobreviver exportando para Angola, Brasil, etc. Ou seja a diminuição do rendimento disponível culminou na redução das importações e no aumento das exportações.

A austeridade e crescimento andam de mãos dadas e são face da mesma moeda.

Quanto aos sacrifícios, estes têm que ser distribuídos criteriosamente. As pessoas que têm emprego se receberem menos 10 ou 20% poderão continuar a sua vida, obviamente com dificuldades acrescidas bastante significativas e deverão refazer e reformular os seus gastos. Mas as pessoas que perdem o seu posto de trabalho, principalmente quando fecha uma empresa onde trabalham marido e mulher, o problema agudiza-se exponencialmente e urge resolver este flagelo, esta chaga da sociedade que dá pelo nome de desemprego. Os seres humanos não são números...

Paulo Monteiro Rosa, economista, 10 Julho de 2012

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Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.