Since December 25th, 2010

Translate

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

SOBE, SOBE, BOLSA SOBE


O PSI20, principal índice da bolsa de Lisboa, está no ponto mais alto dos últimos dois anos e meio, em sintonia com as congéneres europeias e norteamericanas. Nos EUA os máximos históricos têm sido consecutivos,  

tal como no DAX30, o principal índice alemão.

A economia portuguesa deixou para trás, por agora talvez, os crescimentos anémicos dos últimos 15 anos. Em 2017 o PIB português deverá ter crescido 2.8%, um comportamento que não se verificava desde 2000.

É neste ambiente que a bolsa tem subido. O PSI-20 valorizou 30% nos últimos 12 meses, indo dos 4400 pontos até aos atuais 5700 pontos.

A economia tem beneficiado do bom momento do setor exportador, com o subsetor do turismo a ganhar quota e a chegar a quase 20% das exportações portuguesas. Podemos estar a viver apenas uma correção da forte contração que o país atravessou entre 2011 e 2013, graças à ajuda da política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE) que, em 2014, através do QE (Quantitative Easing), iniciou uma compra massiva de ativos financeiros dos estados e das empresas. Para se financiar a 10 anos, o país paga as taxas de juro mais baixas da sua história e a diferença face ao que paga a Alemanha para o mesmo prazo (o "spread") tem descido e começa a regressar aos níveis pré-crise do imobiliário norte-americano em 2008.

Na bolsa há animação: a Sonae SGPS e a Sonae Indústria - que são empresas cíclicas - subiram, respetivamente, 90% e 240% desde o verão de 2016. A Sonae Capital aproveitou a boa conjuntura do turismo e subiu 400% nos últimos três anos. As papeleiras Navigator e Altri valorizaram 95% e 75% desde o verão de 2016, acompanhando a subida do preço da pasta de papel que passou dos 650 dólares em fevereiro de 2017 para os atuais mil dólares. O BCP tem subido sustentado no saneamento das contas. São alguns exemplos.

Na Europa, designadamente na Alemanha, o crescimento económico é bastante satisfatório e taxa de desemprego tem vindo a descer. A França mantém-se um pouco relutante ao crescimento, muito devido à forma como está estruturada a economia, mas que a presidência de Emmanuel Macron parece querer mudar, através de reformas arrojadas. Itália permanece com uma elevada dívida pública. Já o excelente desempenho da economia espanhola foi interrompido, talvez pontualmente, pela questão da secessão da Catalunha. Os países nórdicos têm desempenhos mais próximo do germânico. Nos EUA há quase pleno emprego, com o desemprego nos 4% vindo dos 10% em 2009. O crescimento económico é robusto, à volta dos 3%.

Os bons desempenhos das principais economias, que têm ajudado as bolsas a registar consecutivos máximos históricos, podem ser travados caso haja correção de alguma das várias bolhas, já maduras, que persistem há dois anos e que vão desde as ações ao imobiliário, ao crédito concedido e ao endividamento de países.

As "bolhas" nascem do desfasamento do valor dos ativos bastante abaixo do preço de mercado.

A "bolha" autoalimenta-se com a esperança de cada investidor em vender sempre mais caro do que compra, sem olhar ao real. A primeira, desde que há registos, foi a febre das tulipas em 1637… e parece que, enquanto houver mercados, haverá sempre "bolhas". 

Paulo Rosa, Vida Económica, 26 de janeiro 2018





Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo do blogue

Seguidores

Economista

A minha foto
Naturalidade Angolana
Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.