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sexta-feira, 10 de julho de 2020

A RESERVA FEDERAL ASIÁTICA

Hong Kong enfrenta um crescente boicote monetário pelos EUA e, mais importante, pelo sistema financeiro norte-americano como resultado da sua “anexação de facto” pela China. A cidade autónoma da China, independente do Reino Unido desde 1997, é uma das principais portas de entrada de capitais estrangeiros na China, nomeadamente de dólares norte-americanos, a principal unidade de conta do mundo. Como conseguirá agora a China os dólares tão necessários para manter o seu sistema financeiro, visto que a moeda renminbi e a sua unidade de conta, o yuan, não terem esse estatuto? A China precisa de encontrar outras formas, igualmente eficazes, de atrair dólares para a sua economia, e uma delas pode passar por aliciar investidores estrangeiros para o mercado de ações.

Dois fatores têm suportado os mercados esta semana: a visão dos investidores de que, perante um crescente agudizar dos novos casos de coronavírus, os bancos centrais sustentarão as ações, e o outro fator prende-se com o crescente otimismo que se vive nos mercados acionistas da China.

Pequim enviou uma mensagem à população chinesa, através do editorial da primeira página do jornal estatal “China Securities Journal", defendendo que um mercado acionista em alta, após a pandemia, é agora mais importante do que nunca para a economia, apelando à população, quase literalmente, para comprar ações. Sem um "mercado em alta”, as saídas de capital podem debelar as reservas de dólares chinesas, um resultado que teria consequências financeiras, monetárias e geopolíticas negativas para a China e para o resto do mundo, talvez com amplitudes quase semelhantes a uma segunda vaga pandémica.

Nos países desenvolvidos, nomeadamente nos EUA, há quem comece a referir que para impulsionar os mercados “Nós temos a Reserva Federal... E a China tem os órgãos estatais de comunicação social".

Em 2015, o governo chinês utilizou esta mesma estratégia para promover os seus mercados acionistas, designadamente o seu índice tecnológico Shenzhen que irrompia gradualmente. No entanto, os mercados acabariam por corrigir da subida exponencial, por falta de fundamentais económicos que sustentassem essa subida, encetada em meados de 2014 e que duraria aproximadamente um ano, até 12 de junho de 2015, espelhada por uma subida de mais de 200% do índice tecnológico Shenzhen e cerca de 150% do Shanghai Compósito.

A economia da China enfrenta obstáculos, incluindo as questões comerciais com os EUA. Porém, no curto prazo, a perspetiva de recuperação rápida na China espalhou-se para outros mercados. O indicador de atividade PM1 dos serviços, medido pela Caixin/ Markit, subiu em junho para 58,4, a leitura mais alta desde abril de 2010. A China tenta mostrar ao mundo desenvolvido que foi um país exemplar no controlo da pandemia de Covid-19, ademais o primeiro país a lidar com

esse desconhecido coronavírus e que de acordo com os números que são públicos teve um “reconhecido" sucesso. A China com quase quatro vezes mais população que os EUA, tem apenas 80 mil casos positivos, quase 40 vezes inferior ao número de casos do novo coronavírus nos EUA, já acima dos três milhões. Chegou o tempo, a era e a hora da Ásia?

Nos EUA, o índice tecnológico Nasdaq 100 regista máximos históricos consecutivos, a espelhar a hegemonia da economia norte-americana! Voltaremos a ver uma subida dos índices acionistas chineses, ainda muito aquém dos máximos históricos de 2007 e dos valores alcançados em 2015? Não sabemos e o futuro não é óbvio...

Paulo Rosa, Vida Económica, 10 de julho 2020






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Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.