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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

UM MERCADO QUE NÃO QUER CAIR

Até ao final do ano, e com a informação disponível, não encontramos motivos para o mercado cair. Estatisticamente, os meses de novembro e dezembro costumam bafejar os mercados acionistas, que se apresentam com uma tendência de subida e, no caso dos índices norte-americanos e alemão, continuando a registar máximos históricos. Não excluímos, é certo, a possibilidade de pequenas correções pontuais, nem podemos garantir que não cai. Há sempre imprevistos e imponderáveis. Dizer que o mercado vai subir ou descer é como tentar adivinhar a fila mais rápida do supermercado. Basta um pequeno contratempo, para mudar as probabilidades.

Apesar de podermos achar que o mercado está caro, não devemos contrariar a tendência de alta. As evidências mostram que nenhuma notícia negativa penalizou o mercado, desde o referendo independentista na Catalunha, às ameaças nucleares, passando pelas descidas de rating das dívidas soberanas da China e do Reino Unido.

As dívidas, quer públicas, quer privadas, continuam a aumentar e penalizarão empresas e Estados com o seu próprio peso. As dívidas públicas nunca foram tão elevadas, mas continuam para já protegidas pelas baixas taxas de juro dos bancos centrais. O serviço das dívidas (os juros que se pagam por essas dívidas) não tem subido e em muitos casos tem descido, permitindo aos governos continuarem com políticas orçamentais expansionistas. O Banco Central Europeu (BCE), tal como outros bancos centrais, tem encetado políticas monetárias expansionistas, mas alertou os governos para a necessidade de equilibrar as contas públicas e fazer as reformas necessárias.

Mais tarde ou mais cedo, terá que haver um ajustamento nos balanços dos bancos centrais, obrigando à mudança de políticas. A própria subida da taxa de juro da FED (Fed Fund Rate) poderá espoletar uma quedas das ações e obrigações (estas últimas já apresentam correções há mais de um ano).

A Pharol tem recuperado bastante terreno nos últimos meses, com uma valorização a rondar os 100%, a beneficiar do processo de reestruturação da dívida da empresa. Se a reestruturação for positiva para os acionistas, poderá ser negativa para muitos credores. De forma semelhante vamos assistindo, a nível mundial, a uma correlação de forças entre credores e devedores. Muitas economias crescem alicerçadas em crédito…

Vender para recomprar mais barato não tem sido uma boa estratégia nos títulos que começam a encetar uma subida. Exemplos disso foram a Navigator e a Altri, que subiram respetivamente cerca de 20% e 40% no último mês, a beneficiarem das recomendações de compra, nomeadamente da JB Capital, da subida acentuada do preço da pasta de papel. Para dar um exemplo, a Europe Pulp BHKP subiu dos 650 dólares em fevereiro para 911 dólares/tonelada no passado dia 10 de outubro - um aumento de 40% que, apesar da queda de 10% do dólar face ao euro, é ainda uma subida bastante significativa.

Estatisticamente, o mês de setembro é o mais desfavorável para a bolsa. No entanto, este ano foi um mês bastante positivo. O Dax30 de Frankfurt valorizou cerca de 6.5% em setembro, recuperando o que havia perdido entre 16 de junho e 31 de agosto. Registou um máximo histórico acima dos 13.000 na passada quinta-feira, dia 12. Os principais índices norte-americanos, S&P500, Dow Jones 30 e Nasdaq100, continuam a registar máximos históricos consecutivos. Correções nos mercados, mais ou menos agressivas… talvez só para o ano!

Paulo Rosa, Jornal Semanário "Vida Económica", 20 de outubro 2017



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Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.