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sexta-feira, 7 de junho de 2019

A ECONOMIA E A FÍSICA: O EFEITO GRAVITACIONAL

As leis da física também se aplicam à economia, nomeadamente o efeito gravitacional. Os corpos mais pequenos são atraídos pelos maiores. Os planetas gravitam à voltam de corpos maiores, de estrelas. As galáxias gravitam em torno do seu próprio centro.

No modelo de Von Thünen, as cidades maiores atraem mais pessoas.
E quanto mais atraem, maior será o seu poder de atração. A medida que a sua massa vai aumentando, incrementa também o seu poder de atração, pelo que tenderá a ser maior a sua gravidade.
Quanto maior, mais centros de decisão se fixarão nessa cidade, quer públicos quer privados, e logo mais crescem e assim sucessivamente. Em princípio, um círculo virtuoso de crescimento para a cidade em causa, mas que acarreta os problemas de crescimento, como trânsito caótico, poluição...
Acontece também na física. Os corpos maiores atraem os menores. A Terra atrai a Lua. O Sol atrai a Terra e os restantes planetas do sistema solar.

Em termos financeiros, as maiores praças influenciam as bolsas mais pequenas. Em suma, podemos "grosso modo" dizer que todas as praças financeiras mundiais gravitam em torno das bolsas norte-americanas, nomeadamente do que se passa em Nova Iorque, mais particularmente em Wall Street.
Os dados macroeconómicos norte-americanos, desde o mercado de trabalho nos EUA ao PIB, são os mais importantes a nível mundial e influenciam o andamento das bolsas norte-americanas e, consequentemente, as restantes praças mundiais. É o poder gravitacional da maior massa crítica de Wall Street em relação aos poios bolsistas mais pequenos.

As cotações dos títulos sobem paulatinamente, sobem devagar, porque existem sempre vendedores no mercado, é preciso por vezes realizar dinheiro, arranjar liquidez para pagar um empréstimo que venceu, para realizar um investimento, para algum imprevisto que surja. No entanto, as cotações dos títulos descem bastante mais rápido do que sobem, porque para comprar, perante a incerteza, temos tempo. Não devemos "apanhar facas a cair", logo existem menos compradores, ou por vezes nenhum mesmo, como aconteceu no dia 24 de outubro de 1929, quinta-feira negra, na bolsa de Nova Iorque, quando 12 milhões de títulos foram colocados à venda e não existiam compradores, criando-se o "crash" bolsista. Toda a gente queria vender...

Atualmente, os gráficos mostram essa evidência empírica. Sobem devagar e com volume crescente, e os topos fazem-se sem liquidez. Depois caem, e à medida que vão descendo a liquidez aumenta e os fundos são realizados com liquidez.
Parafraseando alguns investidores, "as cotações das ações sobem pelas escadas e descem pelo elevador", e por vezes acabam mesmo por cair pela janela.
Subir um prédio pelas escadas custa, a gravidade, o efeito gravitacional puxa- -nos para baixo, para o centro da Terra.

Pode-se subir por elevador, mas existem sempre gastos de energia, neste caso elétrica. Subir uma rampa de bicicleta custa bastante, mas descê-la é bastante rápido.
A criação de uma empresa e o seu crescimento demoram muito tempo a construir, mas são destruídas facilmente, depressa ou mesmo em instantes perante erros de gestão.
Na física, uma casa demora tempo a construir, bem como um prédio, uma ponte, mas bastam alguns segundos para serem implodidos.

As guerras destroem em poucos anos países, cidades, património que levaram décadas, séculos a serem construídos.

Hoje, com o armamento nuclear, que os atuais conhecimentos da física nos colocou nas mãos, poderemos estar a falar de minutos para o extermínio da humanidade...
A economia e os mercados financeiros gravitam em torno de si próprios, com a ação humana a criar centros de gravidade que aumentam com uma voracidade cada vez maior, e o colapso de um "buraco negro" bolsista pode estar ao virar da esquina... entrando, então, num evento "espaço-tempo em que os campos gravitacionais são imensos", como disse Herman Minkowski, professor de Albert Einstein.

Paulo Rosa, In semanário "Vida Económica", 7 junho 2019



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Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.