Since December 25th, 2010

Translate

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Aumento de Capital da Sonae Indústria

No passado dia 30 de outubro, a administração da Sonae Indústria anunciou um aumento de capital, através da emissão de 15 mil milhões de novas ações ao preço de 0,01€, com o objetivo de levantar no mercado 150 milhões de euros. Por cada ação antiga, que equivalem a 140 milhões, podem ser subscritas 107,14 novas ações.

O preço de emissão é de 1 cêntimo, se o aumento de capital fosse a 10 cêntimos ou outro valor qualquer, o acionista teria que dispor do mesmo dinheiro para manter a sua posição. Os investidores ainda não entenderam que o problema não é o preço de emissão do aumento de capital mas sim o montante em dinheiro a levantar. Quanto menor é o preço de emissão mais ações novas são emitidas e o produto é sempre 150 milhões de euros.

Mas se algum acionista não quiser acompanhar ou não tem dinheiro para o fazer? Verá a sua posição diluída sempre no mesmo montante, quer seja a 1 cêntimo quer seja a 10 cêntimos ou a 20 cêntimos. O nível do preço de emissão é psicológico...

No entanto, quem não for ao aumento de capital vê a sua posição muito mais diluída quanto menor for o preço de emissão. Porém, pode alienar os direitos e com o produto dessa venda, comprar ações da Sonae Indústria no mesmo montante em dinheiro, independentemente do preço de emissão.

Provavelmente, existe algum desconhecimento por parte dos acionistas:
a) A intenção de aumentar o capital em 150 milhões de euros foi anunciada há 6 meses atrás, no dia 7 de maio. Na assembleia geral, de 4 de abril, os acionistas deram autorização à administração para aumentar o capital social até 1,2 mil milhões de euros.
b) De acordo com a cotação dessa altura a 0,85€, todos, mesmo os menos informados deveriam saber que teriam que investir 125% do valor da sua posição em Sonae Indústria para acompanhar o aumento de capital. Se não tinham dinheiro para o fazer deveriam ter alienado.
c) A empresa acumula 6 exercícios consecutivos de prejuízos. Os resultados têm sido penalizados pela diminuição da procura, custos extraordinários de reestruturação com encerramento de fábricas e consideráveis encargos financeiros de financiamento.
d) Este aumento de capital tem como objetivo pagar dívida de curto prazo que é cerca de metade da dívida total.
e) A Efanor Investimentos, cuja titularidade da maioria do capital social pertence a Belmiro de Azevedo, detém 51% do capital da Sonae Indústria e já se comprometeu a subscrever no mínimo 75 milhões de euros.

Neste momento as ações da Sonae Indústria cotam a 3 cêntimos, 200% acima do valor justo do destaque do direito que é de 1,1 cêntimos. O que justifica este desempenho? Só uma significativa iliteracia financeira ou desatenção pode explicar a irracionalidade desta subida. Antes do ajuste do aumento de capital a Sonae Indústria tinha caído cerca de 80%, dos 0,35€ para 0,07€, com alguns investidores a alienarem os seus títulos após ter sido anunciado o aumento de capital e o seu preço de emissão.

Os investidores, provavelmente, estão a espelhar alguma confusão e a esquecer que a ação cota já sem direito ao aumento de capital. No entanto, é expectável que a cotação ajuste ao valor teórico da ação sem direitos, ou seja 1,1 cêntimos, à medida que o tempo vai passando até ao final da operação. Está prevista a admissão à cotação das novas ações a partir do dia 4 de dezembro.

Eventuais posições de "short selling" (venda a descoberto) desde que dentro do enquadramento legal do regulador, CMVM, tenderiam a pressionar o título em baixa para o seu valor justo e seriam um estabilizador do mercado.

Quem detém ações em carteira, tem aqui uma boa oportunidade de arbitragem, com a venda dos títulos que possui e a compra de direitos em montante proporcional.

Paulo Monteiro Rosa, economista,  in "Vida Económica" 14 de novembro. Nota: escrito no início da semana, com correção de cotações no dia 12.

http://www.docstoc.com/d…/173110403/Sonae.Ind%C3%BAstria.pdf







Seguidores

Economista

A minha foto
Naturalidade Angolana
Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.