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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Procura por obrigações ganha terreno no seio dos investidores de retalho

Alguns aforradores que aplicam o seu dinheiro principalmente em depósitos a prazo têm vindo a diversificar e procurar alternativas com maiores rentabilidades, e têm investido em obrigações.

O lançamento das Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) por parte do Estado Português em 2016 e a política de taxas de juro à volta de zero, que atualmente são negativas, por parte do Banco Central Europeu, abriu o mercado obrigacionista a aforradores menos familiarizados com este tipo de produto.

O aumento da procura de investimento em obrigações tem aumentado significativamente nos últimos anos.

Alguns investidores que alocavam o seu dinheiro em ações diversificaram a sua carteira, que passou a integrar também obrigações, nomeadamente as "corporate", que são emitidas por empresas. Estas têm atraído os investidores mais avessos ao risco, mas propensos a assumir algum, e têm ganhado terreno relativamente às ações, na procura de outras soluções de investimento.

Muitas empresas recorrem aos mercados financeiros para financiarem a sua atividade, para crescimento das mesmas ou para suprir problemas financeiros, através da emissão de ações e/ou obrigações. Os investidores que compram ações de uma determinada empresa passam a ser donos dela na proporção da sua aquisição, participam nos capitais próprios da empresa e são remunerados pela distribuição dos lucros, caso os haja e a maioria dos acionistas aprove essa política em assembleia geral, através de dividendos.

Quem adquire obrigações emitidas por uma determinada empresa está a emprestar dinheiro a essa entidade, ou seja, são seus credores, e a remuneração e o reembolso do capital serão previamente definidos pela empresa, com uma taxa de juro e uma maturidade para o reembolso do capital. Os obrigacionistas, no balanço da empresa, estão na parte dos capitais alheios e próximo dos financiamento e créditos bancários.

Atendendo a que o risco tende a ser proporcional ao retorno, o de uma obrigação é menor do que de uma ação. Também a probabilidade de se perder o dinheiro investido, em caso de falência ou liquidação da empresa, é maior para os detentores de ações.

Existem exemplos de obrigacionistas que se tornam acionistas em virtude das dificuldades financeiras de uma determinada empresa. Muitos detentores de obrigações da operadora de telecomunicações brasileira "Oi", que era detida em 27,5% pela empresa portuguesa Pharol, depois da reestruturação da dívida, viu a sua participação mitigada para cerca de 5%.

A conversão de crédito em participação de capital, i.e, passar a ser acionista da empresa "Oi", verificou-se sob pena de a empresa Oi entrar em insolvência e não poder honrar mais os seus compromissos, como seja o reembolso de empréstimos, e os obrigacionistas perderem a maioria do dinheiro investido. Os obrigacionistas foram penalizados, mas os acionistas viram a sua posição na empresa ser diluída substancialmente.

Nos últimos meses, a nível nacional, foram várias as emissões de obrigações, desde a TAP à SIC, oferecendo taxas de juros atrativas, acima dos 4%, relativamente aos tradicionais depósitos a prazo que remuneram com taxas muito baixas. Tem-se verificado que muitos investidores mais propensos ao risco, nomeadamente investidores de ações, têm alocado parte do seu património em obrigações, e aforradores que alocavam em grande parte o seu dinheiro em depósitos a prazo têm assumido agora uma postura de maior risco ao investirem em obrigações.

De salientar que, no investimento em obrigações, os investidores que antes mobilizavam o seu dinheiro quase exclusivamente para depósitos a prazo, que têm um risco muito reduzido, devem ter maior atenção no balanço da empresa e toda a informação de classificação de crédito que exista, porque estamos perante um produto com um risco acrescido face aos depósitos, mas aquém do risco das ações, pelo que terá muitas dificuldades em perceber e encaixar perdas de capital. Já quem investiu em ações, habituado a produtos de risco acrescido, estará mais adaptado perante os riscos menores de uma obrigação, caso tenha que encaixar perdas.

Paulo Monteiro Rosa, In "Vida Económica", 26 de julho 2019



sexta-feira, 19 de julho de 2019

Recessão nos EUA em 2020?


Em junho, a probabilidade de se verificar uma recessão da economia dos EUA nos próximos doze meses, prevista com base no diferencial das taxas de juro de curto e longo prazo nos EUA, as rentabilidades dos bilhetes do tesouro e obrigações soberanas, fixou-se nos 33%. Em maio a probabilidade era de 27%, e tem vindo a agudizar-se há mais de um ano.

Modelos matemáticos da Reserva Federal de Nova Iorque, baseados nas diferenças entres as “yields” das várias maturidades das “Treasurys”, estimam o fim do clico expansionista mais longo de sempre da economia norte-americana. Quando os ciclos económicos se estendem por longos períodos, por exemplo de 1991 a 2001, e de acordo com a premissa “da memória curta”, existe uma maior propensão para se referir que os ciclos já não existem e agora só existe expansão. Em 1999, antes da bolha das “dotcoms” rebentar, o fim da existência de ciclos era quase uma certeza.

No gráfico, podemos verificar que o modelo é bastante assertivo na previsão. Já em 2006 a probabilidade de recessão foi aumentando e viria a acontecer dois anos mais tarde. Também em 1999 o modelo previa recessão que tornar-se-ia realidade em 2001.

Segundo a FED de Nova Iorque, a Curva de Rendimentos mostra 33% de hipótese de recessão no próximo ano. As taxas de juro de longo “grosso modo” espelham as taxas de juro de curto prazo acrescidas das expetativas para a inflação. De acordo com a teoria económica, uma Curva horizontal ou com declive negativo é sinónimo de recessão económica, porque indica expetativas de baixa inflação no futuro. A inflação, em economias desenvolvidas, é resultado do crescimento económico, é uma consequência e não uma causa. Por isso, taxas de juro de longo prazo mais elevadas nos prazos mais longos, mais altas ao longo da curva e, nomeadamente, no final da curva, indiciam taxas de inflação crescentes à medida que as maturidades são maiores. Uma Curva de Rendimentos (Yield Curve) positiva é pronúncio de expansão económica. Atualmente, a Curva de Rendimentos nos EUA é negativa até aos 3 anos e positiva a partir deste ponto. Porém, a taxa de curto prazo dos billhetes do tesouro (T-Bills) a 3 meses é de 2.12% e ligeiramente superior à taxa de longo prazo da obrigação do tesouro (T-Bonds) a 10 anos de 2.11%, e a Fed de Nova York prefere observar a diferença entre o período de 10  anos e de 3 meses porque mostra “precisão e robustez ao longo do tempo”.






Aquando das eleições a evidência empírica mostra que existe uma maior probabilidade de recessão, principalmente depois de um longo ciclo de expansão. Em 2016, Donald Trump ganhou as eleições e a sua administração conseguiu tornear a recessão com uma política orçamental expansionista. Em novembro de 2020 haverá eleições, depois de um ciclo de expansão económica que dura há mais de 10 anos. O modelo da FED de Nova Iorque estará certo? A FED luta para isso não acontecer, e a descida em pelo menos 0.25 pontos percentuais das “Fed Funds Rate” no dia 31 julho é já um dado adquirido pelo mercado.

Paulo Monteiro Rosa, semanário "Vida Económica", 19 de julho 2019
 







Contagem decrescente para reunião da Fed

Época de resultados penaliza bolsas e quebra ciclo de máximos históricos nos principais índices norte-americanos. Investidores preocupados com a época de resultados.

PAULO ROSA, Jornal Económico, 19 julho 2019 

A Netflix foi significativamente penalizada em bolsa depois de ter anunciado uma quebra do número de assinantes. No segundo trimestre, a empresa obteve um lucro líquido de 271 milhões de dólares que compara com os 384 milhões de dólares no mesmo período do ano passado.

As tecnológicas europeias registaram esta semana mínimos de 19 de junho, penalizadas pela alemã SAP, a maior empresa de software do velho continente, que emitiu um profit warníng, referindo que só espera melhorias nas margens no próximo ano, e reportou uma queda de 21% nos resultados operacionais no segundo trimestre.

O Bank of America reportou resultados melhor que o esperado, 0,74 dólares/acção contra 0,71 dólares/acção estimado e vendas também acima do esperado, que contrabalançaram o desempenho das bolsas perante os fracos resultados apresentados pela Netflix.

O mercado segue em contagem decrescente para o 'dia D', 31 julho, de 'Descida' da taxa de juro de referência da Reserva Federal norte- -americana em pelo menos 0,25 pontos percentuais, segundo os futuros negociados na bolsa de derivados de Chicago. De acordo com os dados da Reserva Federal de Nova Iorque e Cleveland, que verificam os diferenciais das yields das T-Bonds e das T-Bills, a probabilidade de recessão económica nos próximos 12 meses tem aumentado, e isso justifica a orientação tomada pela Fed de encetar uma política monetária expansionista para evitar uma recessão.

Segundo a Fed de Nova Iorque, a curva de rendimentos mostra 33% de hipótese de recessão no próximo ano. As taxas de juro de longo "grosso modo" espelham as de curto prazo, do mercado monetário, acrescidas das expetativas da inflação. Em novembro de 2020 teremos eleições para a nova administração dos EUA, e existe uma evidência empírica de que em anos em que decorrem estes eventos, que resultem em transições ou não de governo, existe um acrescido aumento da probabilidade de recessão. Muito se conjuga para um hipotético abrandamento, estagnação ou mesmo recessão da economia americana.

O Estado português financiou- -se em 500 milhões de euros a seismeses com uma taxa negativa de 0.454% (comparável com emissão similar a 15 de maio em que a taxa havia sido de -0.396%) e mil milhões a 12 meses com uma taxa negativa de -0.431% (a 15 de maio a taxa tinha-se fixado em -0.37%).

As taxas de juro destas emissões já estão abaixo da remuneração dos depósitos por parte do Banco Central Europeu, de -0.40%, pelo que existe uma expetativa de descida desta taxa por parte do BCE.

CAMBIAL

RUPIA PAQUISTANESA

O Banco Central do Paquistão subiu as taxas de juro de referência da moeda de 12,25% para 13,25%. A esperada subida da inflação, perante o aumento do preço da energia, foi o principal motivo para esta decisão. A inflação deverá fixar-se entre os 11 % e 12% em 2020. No último ano e meio perdeu a moeda paquistanesa desvalorizou significativamente em relação ao dólar, das 100 rupias por cada dólar para 160 rupias no início deste mês de julho. A autoridade monetária do Paquistão procura também estancar a queda da rupia paquistanesa, que se encontra em mínimos históricos, tornando mais atrativa a sua remuneração.

COTADAS RESULTADOS

Os resultados do Danske Bank ficaram aquém do estimado. Os resultados da Volvo foram melhores que a média estimada estimada pelos analistas. A Novartis reportou um aumento significativo das vendas, um crescimento de dois dígitos no lucro operacional e lançou o Zolgensma e o Piqray no segundo trimestre. A farmacêutica Suíça melhorou o guidancepaxa. as vendas e para os lucros. A Ubisoft apresentou no primeiro trimestre uma queda de 18% nos valores de subscrições, em relação ao trimestre homólogo do ano passado, um total de 314.2 milhões de euros, mas acima do estimado pela empresa de "vídeo games" que era de 270 milhões de euros.

COMMODITIES FERRO

A cotação da tonelada do ferro, com uma média de 62% de pureza, entregue no porto de referência - Qingdao, na China - está em máximos de cinco anos e meio. Cota nos 120 dólares por tonelada, acima dos 80 dólares de há três meses. Os investidores estão mais focados na oferta que tem vindo a diminuir, nomeadamente da brasileira Vale, depois dos problemas em várias barragens. Também a australiana BHP e a anglo-australiana Rio Tinto prevêem diminuição de produção este ano. Apesar dos riscos de abrandamento económico, esperava-se que a procura diminuísse, o preço do ferro continua em alta, devido aos receios de uma menor oferta.





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Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.