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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A BOLSA EM TEMPO DE GUERRA

Qualquer foco de instabilidade (política, geoestratégica, segurança) gera sempre uma maior aversão ao risco nos investidores. No caso de ações terroristas, as empresas de turismo e de bens de luxo costumam estar entre as que sofrem maiores impacto imediato. É normal que haja já uma retração do turismo em Paris, um dos maiores destinos a nível mundial, na sequência dos atentados de dia 13 de novembro. A pujante classe média-alta chinesa pode refrear as suas viagens a Paris e afetar negativamente a economia parisiense. A empresa francesa de bens de luxo, Louis Vuitton, pode ser penalizada, embora o seu desempenho em bolsa desde os atentados tenha estado estável. Mas também há empresas que costumam sair beneficiadas. É normal que empresas ligadas à segurança, ao armamento e equipamento militar valorizem nas próximas semanas. A resposta francesa aos ataques vai intensificar-se e o Governo já anunciou que em tempo de guerra não se controla o défice, porque é necessário aumentar o orçamento da Defesa.

A guerra ao terrorismo assumida pela França será apoiada não só pelos aliados, mas principalmente pela Rússia, depois de ter sido apurado que a queda do avião civil que ligava a instância turística no Egipto à Rússia, no mês de outubro, se deveu a uma ação terrorista. O sector gaulês da defesa já capitalizou com os atentados, com a Thales a subir 5.8%, batendo máximos históricos, e a Dassault System subiu 1.56%. As restantes cotadas neste sector tiveram capitalizações interessante, caso dos ganhos de 8.47% da BA Systems, 4.78% da Boeing e 8.35% da Raytheon.

A bolsa de Paris, na semana seguinte aos acontecimentos terroristas, teve um desempenho positivo, ainda que ligeiro, com uma subida de 2.2%. Não seria de esperar que a bolsa se ressentisse, devido ao aumento da aversão ao risco?

As principais bolsas a nível internacional estiveram pressionadas desde o início de novembro, por causa de dados da economia dos EUA, incluindo o relatório do emprego. Voltaram os receios quanto à subida das taxas de juro por parte da Reserva Federal dos EUA. Os futuros negociados na bolsa de Chicago (CME Group) passaram a descontar uma subida de taxas do dólar para 0.5% desde essa data. No entanto, dados avançados pelo presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, sobre uma política monetária inflacionista, cada vez mais agudizada, permitiram ao mercado subir nos dias seguintes aos atentados. 
Se os atentados tivessem acontecido com o mercado aberto, nas bolsas a nível mundial ter-se-ia instalado o pânico e as quedas seriam imediatas. Não foi o caso, com o fim-de-semana a dar tempo para uma total informação sobre o sucedido na noite de sexta em Paris.

Na segunda-feira, 16 de novembro, 3 dias após os ataques terroristas, os investidores, calmamente, a frio e sem pânicos, analisaram o mercado, e apesar de existir uma ameaça, que não era uma novidade, a segurança, e o estado de alerta, aumentaram significativamente, traduzindo-se em maior tranquilidade e menor instabilidade e volatilidade para os mercados. É pertinente referir o indicador UBS "Dynamic Equity Risk Indicator", que mede o apetite pelo risco dos investidores, teve um aumento de (-0.086 pontos) no dia 13 de novembro para 0.451 pontos no dia 20 de Novembro. Antes de serem divulgados os dados relativos ao emprego nos EUA, no dia 6 de novembro, este indicador estava nos 0.5 pontos e a seguir desceu até ao dia dos atentados em Paris. 
 

In Vida Económica, 27 de novembro 2015, Paulo Rosa


 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Os resultados dos bancos cotados na bolsa portuguesa

Após vários anos de prejuízos, maioria dos bancos portugueses regressou aos lucros este ano. O BCP lucrou 264.5 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, tal como era esperado e a ultrapassar as perdas de 109.5 milhões de euros no período homólogo do ano passado. O BCP espera pagar parte da ajuda pública no próximo ano e amortizar a totalidade antes do prazo limite.

O BPI registou lucros de 151 milhões de euros entre janeiro e setembro deste ano, acima dos lucros estimados pelos analistas de 115.2 milhões de euros e já distantes dos prejuízos de 140 milhões euros de igual período do ano passado. O BPI diz que insiste na redução dos custos para reforçar os seus resultados.

O Banco Popular e a Allianz apresentaram ofertas vinculativas para a compra da seguradora Açoreana, pertencente ao Banif, e entre os candidatos já se encontram o fundo norte-americano Apollo e a seguradora Caravela. A venda é uma exigência da Comissão Europeia, no âmbito de reestruturação do Banif, a troco da ajuda de Estado. O Banif ainda deve 125 milhões de euros ao Estado e, além disso, o Estado tem 600 milhões de euros aplicados no capital social do banco que, à cotação atual de 0.0030 J, valem apenas 180 milhões de euros. Qual é a probabilidade do Estado recuperar o seu dinheiro - o empréstimo e o capital próprio – colocado no Banif? Só o futuro poderá responder a delicada questão. O Banif divulga os resultados dos primeiros 9 meses do ano, no próximo dia 11 de novembro. No primeiro semestre do ano teve um lucro de 16.1 milhões de euros, algo que já não acontecia desde 2010.

Os bancos gregos reportaram os seus testes de "stress" no passado 31 de outubro. Segue-se a divulgação dos resultados dos testes aos bancos portugueses. Como estará a saúde financeira do sistema bancário europeu? Apesar das melhorias nos últimos anos, os testes podem trazer surpresas e necessidades de recapitalizar alguns bancos, o que vai influenciar a evolução da banca portuguesa nos próximos tempos.

No entanto, apesar do desempenho razoável e de uma tendência positiva dos dados dos bancos portugueses, persiste uma dúvida que pode afetar este desempenho: os resultados do Novo Banco. Será que o NB vai precisar de aumentar o capital? Qual o seu montante e quem o fará? São aguardados com expectativa os testes "stress" do Novo Banco, para saber se precisará repor rácios. O BCP referiu que não tem intenção de injetar mais dinheiro no Fundo de Resolução, que neste momento é de 4.9 mil milhões de euros, o capital social do Novo Banco. Segundo o BCP, o maior contribuinte do fundo a seguir à CGD, não deve ser o Fundo de Resolução a capitalizar o Novo Banco. Do total do Fundo de Resolução, 3.9 mil milhões de euros são um empréstimo do Estado que continua por pagar. A uma taxa de 2,95%, o Estado já recebeu mais de 120 milhões de euros em juros.

Os rácios de transformação têm melhorado e as classificações de crédito dos bancos cotados no PSI20 (BPI, BCP e Banif) estabilizaram nos últimos tempos, como é observado no quadro abaixo. 

Paulo Rosa, In Vida Económica, 6 de novembro 2015








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Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.