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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O preço nem sempre é o mais importante


A correlação negativa entre o volume e a cotação dos activos financeiros

O volume é o número de títulos (acções, obrigações, contratos de futuros, etc.) que um determinado activo negoceia num dado período. O volume mais relevante é o diário. O volume intraday (verificado em períodos pequenos, dez minutos, uma hora, etc.) é importante para quem realiza bastantes negócios diariamente.

Na maior parte dos casos, o volume é tão ou mais importante que a própria cotação do título em si mesmo. Se observarmos uma subida bastante significativa de um título num determinado dia mas com um volume bastante baixo, isso poderá sinalizar que a subida não se estenderá por muito mais tempo, a subida não está suportada pelo volume, logo é provável que nos dias seguintes de negociação haja correcções e descidas do título. O volume é um excelente barómetro para aferir sobre a tendência do mercado. O volume dá sustentabilidade às subidas. Já as descidas serão uma realidade caso o volume seja fraco.

A evidência empírica leva-nos a concluir que existe uma correlação negativa, nomeadamente no longo prazo mas também válida para a negociação diária (daytrading), entre o volume e a cotação de determinado activo financeiro. Quando o volume diário começa a diminuir, a cada sessão de bolsa que passa é provável que estejamos próximos do máximo da cotação. Nesse período, o volume é demasiado baixo para sustentar a cotação. Quando o volume vai aumentando, à medida que o título vai caindo de preço, é expectável que o mínimo do título esteja a ser atingido. O volume sustenta a cotação. Ver gráfico1



Mas atenção: o volume, por si só, poderá transmitir-nos alguma informação enviesada ou mesmo induzir o investidor em erro se não relacionarmos o volume que cada título transacciona com o número de acções que tem dispersas em bolsa (free float). Poderemos apelidar esta observação de relatividade do volume.

A Portucel Industrial tem um baixo volume, mas deveremos ter em conta que o free float não chega a 20% do número de acções da empresa (a Semapa e a própria Portucel detêm cerca de 80% das acções que não estão disponíveis para negociação em bolsa). Já a SonaeCom tem uma dispersão em bolsa de 76% e volumes mais elevados, logicamente em relação ao total de acções da empresa. Em conclusão, é normal que uma empresa com um free float baixo tenha também volumes baixos e vice-versa.

A distinção entre o volume transaccionado e montante em dinheiro é importante. O montante é espelhado no produto entre o preço do título e volume negociado e designa-se por turnover. Um activo financeiro que negoceie muitos títulos, reflectindo-se em volumes altos, não indicia que seja um título que transaccione valores elevados, mas é um título líquido.
Quando a cotação de um título é muito baixa, alguns cêntimos, e os volumes de acções transaccionadas são bastante altos, existe o risco de o volume induzir o investidor em erro, que deverá estar atento a estas situações.

Em suma, se olharmos para o volume, um número simples de identificar, teremos um indicador com uma fiabilidade aceitável para tomarmos posições de compra ou de venda sobre determinado título e um certo conforto para o retorno do nosso investimento.
De salientar que o volume é bastante importante na negociação de acções, mas pode ser um indicador menos fiável na transacção de obrigações, porque a maior parte dos negócios são realizados fora de bolsa (OTC, over the counter) e a totalidade de obrigações transaccionadas é difícil de ser percepcionada durante o dia. Obviamente, todos os negócios têm que ser reportados à entidade que supervisiona os mercados financeiros (CMVM) e mais tarde saberemos qual foi o volume transaccionado. Nos derivados os volume são também importantes, principalmente as posições em aberto (OI, Open Interest).

Paulo Monteiro Rosa, economista, 12 de Novembro de 2012

Publicado na Ordem dos Economistas
http://www.ordemeconomistas.pt/xportal/xmain?xpgid=membros-artigo&membros_art_det=12854938

Publicado no Jornal de Negócios de 12 de Novembro de 2012, página 22.
http://www.scribd.com/doc/112958372/Preco-nem-sempre-e-o-mais-importante

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Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.