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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Austeridade e Crescimento: Duas faces da mesma moeda


Será que austeridade, traduzida pela consolidação orçamental, é sinónimo de crescimento? E crescimento é sinónimo de consolidação orçamental?

A austeridade não é um fim em si mesmo. É o único meio para atingir o crescimento sustentável... 
Prefiro apelidar a austeridade de ajustamento, porque é isso mesmo, um ajustamento...

Que meios podem ser utilizados para promover o crescimento económico? Além das decisões políticas e realocação criteriosa dos recursos financeiros existentes, que devem estar sempre presentes na mente de qualquer decisor, existem pelo menos 3 vias para incentivar o crescimento através de políticas monetárias: 1ª) Políticas monetárias expansionistas realizadas pelo Banco Central Europeu (BCE), através da redução da taxa de juro de referência, impressão de dinheiro, aumento da base monetária, mas com efeitos secundários que podem passar pela subida da inflação no futuro. 2ª) Os Estados contraírem mais empréstimos, no entanto haverá um agravamento da já elevada dívida pública e subida das taxas de juro implícitas das obrigações do tesouro. 3ª) Utilização de poupança, a única via plausível. Mas poupança é uma característica comum aos países do norte da Europa e pouco frequente nos países do sul.

Mas alguém acredita que haja algum decisor político que abdique do crescimento económico? Que não tenha ideias sobre o crescimento e não as queira implementar? É com crescimento que se ganham eleições. Obviamente existem e têm que haver políticas de crescimento, mas não espelhadas na flexibilização monetária que porão em causa a estabilidade de preços ou em empréstimos que levarão ao agravamento das taxas de juro. A Alemanha e os restantes países setentrionais têm poupança, mas é deles. E para existir solidariedade destes países, terá que existir responsabilidade dos países meridionais no controlo das suas contas públicas.

As LTRO (Long Term Refinanciang Operations), operações de empréstimos de longo prazo do BCE, nomeadamente a 3 anos, são montantes relativamente elevados para serem esterilizados, podendo pressionar em alta a massa monetária e elevar a inflação. Neste momento não existe esse receio, porque o dinheiro não chega à economia. O empréstimo que a banca comercial obteve do BCE no dia 28 de Fevereiro, foi colocado no dia seguinte novamente junto do Banco Central e caso os bancos venham a utilizar algum desse dinheiro será essencialmente para comprar dívida pública.
O FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) é o mais adequado no combate à crise financeira porque é constituído por poupanças, logo não há variação da base monetária. A estabilização da crise financeira, em termos monetários, deve passar essencialmente por este fundo.

A resolução da crise, em definitivo, passa por um orçamento único para garantir a sustentabilidade da moeda europeia. O euro passaria a estar suportado pela mesma política monetária centrada no BCE e pela mesma política orçamental, como qualquer moeda a nível mundial. Os EUA sentiram as dificuldades, nos primeiros 10 anos após a independência, de ter uma moeda sustentada apenas pela política monetária centralizada. Um orçamento único foi criado a seguir, caso contrário provavelmente hoje os EUA não seriam como conhecemos…

Mas a Europa não é idêntica aos EUA. É uma “manta de retalhos” com inúmeras línguas e culturas bastante díspares. Como podemos pensar uma Europa, ou interiorizar que somos cidadãos europeus, se um português que foi viver para a Áustria, conhece uma Italiana que trabalha na Alemanha, decidem casar-se em França, têm um filho na Bélgica e acabam por se divorciar na Holanda. Como se resolve o problema a estes cidadãos? No futuro, da mesma forma que um cidadão de Genebra que foi viver para Zurique, onde conhece uma rapariga de Lugano e decidem casar-se e viver no cantão de Grisões. A Suíça é um exemplo paradigmático para a Europa. A Suíça é uma união de estados-membros, de países. Constituída por quatro principais regiões linguísticas e culturais, não forma uma nação no sentido de uma identidade comum étnica ou linguística, mas o forte sentimento de ser suíço prevalece…
Por regra um oriundo de Portugal sente-se em primeiro lugar português e só depois cidadão da Europa, tal como em qualquer outro Estado-Membro. Mas não será também assim na Suíça? E não será também assim em Portugal? A cultura transmontana tem, provavelmente, mais em comum com a galega do que com a algarvia…
Mas a Suíça é um país pequeno! Tudo é relativo. A Europa também será relativamente pequena no futuro em relação ao resto do mundo em virtude do crescimento exponencial da população dos países subdesenvolvidos e da crescente preponderência da economia dos países emergentes. A Alemanha é uma economia grande a nível europeu, mas será cada mais pequena para ombrear com as restantes potências mundiais. Só como um todo a Europa poderá preservar a sua influência no mundo. Só como um todo poderá vencer os obstáculos que tem pela frente…
Também existe na Europa o forte sentimento de ser europeu e uma identidade europeia. O elo de ligação tanto na Suíça como na Europa é e será a preservação das identidades culturais, o civismo e principalmente os elevados níveis de rendimento per capita. A quebra de um elo poderá redundar no desmembramento…

O mercado laboral é extremamente rígido na Europa para absorver os jovens e os desempregados, muitas vezes com mais competências, apesar de terem menos experiência. A solidariedade, entre a população, é também uma palavra vaga nos países que estão sob ajustamento das suas contas públicas, que têm ser corrigidas para, no caso de Portugal,  não precisar de um segundo resgate e conseguir se financiar via mercados financeiros a taxas razoáveis. Sensibilidade quanto à repartição dos sacrifícios é fundamental. A Taxa de desemprego de quase 25%, que se verifica na vizinha Espanha, é simplesmente insustentável quer em termos económicos, quer ao nível social...

A palavra austeridade tem sido bastante utilizada, na Europa, nos últimos anos e é sinónimo de sacrifícios financeiros que as famílias, empresas e Estado estão a sofrer. Nas décadas anteriores foram benefícios com dinheiro emprestado. Estes sacrifícios são denominados de ajustamentos em termos económicos e têm a sua génese na crescente hegemonia das economias emergentes e nos insustentáveis endividamentos das economias europeias. Ver quadro 1.




A austeridade é sinónimo de crescimento, porque contas públicas sãs contribuem para um crescimento económico sustentável no longo prazo. Crescimento baseado em mais empréstimos ou “impressão de dinheiro” é sinónimo de austeridade no futuro, mais premente que a actualmente experienciada.

Paulo Monteiro Rosa, economista, 27 de Abril de 2012


13 comentários:

  1. Paulo Monteiro Rosa, chamo-me Tiago Mestre e, entre muitas outras coisas, contribuo com um blog na área económica, financeira e social:

    contascaseiras.blogspot.com

    Vi que acompanha o blog A espuma dos dias, do vivendi, pessoa que muito tem contribuído para dar visibilidade às ideias que eu também defendo!

    Sobre o seu artigo, também concordo com a sua análise acerca do crescimento e da austeridade, pelo que lhe lanço o desafio de dar uma vista de olhos no Contas e comentar o que achar pertinente.

    Sendo o Paulo alguém ligado à banca de investimento, lançava-lhe o desafio de nos poder elucidar com mais posts sobre as movimentações no mercado de capitais.

    Fenómenos como as consequências do LTRO, as recentes declarações de Jens Weidmann acerca do Target2, ou até a manipulação do FED na bolsa de valores dos EUA com os programas QE e Twist são questões que assumem hoje uma certa relevância.

    A necessidade de reunir a comunidade blogosferiana que pensa na economia de forma desassombrada e realista é para mim de uma enorme importância.

    Ideias e debate geram melhores ideias.

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    1. Olá Tiago,

      Dei uma vista de olhos no seu blogue. Sóbrio quanto baste, vou passar a segui-lo.

      Estive a escrever algo sobre as "Eurobonds". Elas existiram até 2008 implicitamente e desde 1999, criação do euro. É a integração do Euopeia em causa...

      Tenho um artigo para publicar: "Ensaio sobre a massa monetária". Inflação Zero e massa monetária crescente de acordo com a produção. Parecido com a Escola Austríaca, mas com um cunho próprio meu...

      Acabar de vez com com os keynesianos em criar dinheiro do nada e impulsionarem a economia com inflação, mais tarde vem a factura enorme para pagar. Culpados das crises que atravessemos. Os governos, desde a segunda guerra mundial que seguem asa doutrinas de Keynes e deu nisto...

      Depois um resumo sobre como será o futuro. A Alemanha é preponderante no redesenhar da União Europeia...

      Vou escrever mais sobre o que refere: Fenómenos como as consequências do LTRO, as recentes declarações de Jens Weidmann acerca do Target2, ou até a manipulação do FED na bolsa de valores dos EUA com os programas QE e Twist são questões que assumem hoje uma certa relevância.
      Mas se der uma vista de olhos no meu blogue encontra, avulso, muitas respostas. Os balanços não param de aumentar do BCE e FED.

      Ver: http://omniaeconomicus.blogspot.pt/2012/03/eficacia-dos-emprestimos-de-longo-prazo.html

      Se seguir o blogue "Omnia Economicus" como membro, poderá estar sempre informado sobre novos artigos.

      Ainda hoje foram ao mercado com "bills" e é um sucesso para todos. Não percebo este jornalismo e analistas (alguns). Os leilões de BT terão sempre sucesso, a única variável é a taxa de juro. O teste será depois de setembro 2013 com Obrigações do tesouro.

      http://omniaeconomicus.blogspot.pt/2012/02/nao-se-podem-testar-os-mercados-com.html

      Pela verdade da informação económica, sempre...

      Os meus melhores cumprimentos,
      Paulo Rosa

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    2. Sou estudante de economia e interessado pela ciência mas também (talvez até mais) pela situação actual económica e política não só da UE, mas do mundo ocidental, com taxas de desemprego altas e/ou défices públicos e dívida pública alta (estou a falar de blocos económicos e não de países singulares: EUA: taxa de desemprego controlada mas enormes défices e dívida pública; UE: défice público e dívida pública controlada (no seu conjunto) mas taxa de desemprego alta). Mas para além destas questões globais, preocupa-me, ainda mais, o que isso implica em termos locais.
      Adianta que considera que uma reestruturação da dívida pública portuguesa é praticamente inevitável. Não é a primeira opinião, que considero informada, que ouço falar do assunto com a mesma convicção.
      No entanto não consigo compreender o porquê dessa inevitabilidade. Eu considero que as políticas seguidas são erradas no curto prazo e que a continuar por este caminho dificilmente atingiremos os objectivos em termos de déficit estabelecidos pela troika. No entanto verifica-se, pela Europa fora a um crescendo de conflito social, a aumentos de taxas de desemprego. A questão grega está complicadíssima e Espanha também se encontra numa encruzilhada.
      Sendo assim não é de esperar que algo mude nos objectivos orçamentais impostos e na política monetária seguida pela Europa enquanto entidade?
      Um default parcial Português, associado a uma postura de conflito grego, em conjunto com uma Espanha intervencionada não terá um impacto suficientemente grande na economia Europeia para que este cenário seja evitado a todo o custo?

      Com os melhores cumprimentos,
      Rui Rodrigues

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    3. Olá Rui,

      A taxa de desemprego tem melhorado nos últimos 2 anos. Mas passámos dos 9,6% para 8,2%. A recuperação é mínima para quem está habituado a ter uma economia em pleno emprego há mais de meio século. Um desemprego de 4%. Os pedidos de subsídio de emprego que são divulgado todas as quintas feiras voltaram a subir nas últimas semanas e aproximaram-se da barreira dos 400.000 pedidos semanais que dá um sinal de recessão económica acima deste valor. O emprego nos EUA ainda não saiu da "redline".

      Na zona Euro o desemprego mantêm-se constante, com um agravamento muito forte nos países periféricos, mas com uma criação de emprego significativa na Alemanha para níveis mínimos históricos de desemprego e nos países da Europa setentrional.

      O que é a reestruturação da dívida? Moratória? Perdão (haircut)? Mais tempo? tudo isto é um incumprimento, mesmo mais tempo.

      Não sabemos se existirá ou não reestruturação. Eu olho sempre para tendências. E com uma dívida de 118%, segundo o ministério das finanças, em 2013, sei muito bem que a capacidade para a pagar é muito difícil. Mas com o trabalho deste governo, poderemos ter um buffer, ma almofada, se algo correr mal teremos a ajuda da Alemanha, para suavizar um segundo resgate. A par da dívida pública, Portugal tem uma enorme dívida privada (das famílias[115%] e das empresas[120%]). Na Grécia não existe dívida dos privados. Não há bolha imobiliária. As pessoas não comprara casas. Além disso têm das maiores frotas e armadores do mundo e um potencial enorme de turismo. E um excelente capital humano. Apesar disso tudo está falida devido à má gestão.

      O caminho que está a ser trilhado é o único salutar. É o óptimo de Pareto. Não poderia existir melhor política. Estamos numa fase de ajustamento. A globalização traz consigo a ascensão de gigantes adormecidos. Melhor vida para os seres humanos da China, Áfica, Indochina e América-Latina. O nosso estado social não aguenta isto. Os Europeus não têm matérias-primas. Temos capital humano e temos que fazer uso dele...

      Quantos aos conflitos sociais, digo-lhe que a comunicação social, os comentadores, os economistas não estão a fazer o seu papel. não sei se por ignorância se por demagogia. Eles é que fazem a opinião das pessoas...

      PS: Tomo a liberdade de o convidar para ser membro do blogue "Omnia Economicus".

      Bom fim de semana
      Um abraço,
      Paulo Monteiro Rosa

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  2. Concordo Tiago!

    O amigo Paulo Rosas tem de aparecer mais. É dos mais esclarecidos na blogosfera.

    Eu gostaria de vê-lo a analisar o comportamento da banca nacional perante uma possível restruturação da dívida pública portuguesa e sobre ficar ou sair do €.

    Um abraço.

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    1. Olá Vivendi,

      Tudo bem consigo?

      O trabalho e motivos pessoais não deixam muito tempo. Adoro escrever. Adoro analisar. sempre friamente. Desapaixonadamente...

      Vou tentar analisar a banca perante uma reestruturação da dívida. Julgo que a probabilidade disso não acontecer, uma reestruturação, é quase nula... Infelizmente. Espero que Portugal honre os seus compromissos...

      Banca portuguesa está metida numa "camisa de força".

      Os aumentos de capital com capital privado ou com dinheiro do Estado (aqui entrada nos capitais próprios ou alheios!?!) é um dado adquirido. o BCP não pára de estar pressionado. Não vejo nenhum interesse de compra há quase 15 dias. Não auguro nada de bom para o BCP.

      O crédito malparado não irá parar de aumentar na banca nacional (com a forte contracção económica) e europeia.

      Défice das contas públicas lá para Outubro já saberemos se fica perto dos 10% ou acima. Nem quero pensar no que pode acontecer...

      Saída do euro jamais. Sou um apologista do euro, não só pelos benefícios que traz a Portugal via novo paradigma económico, baseado em produtos de capital intensivo e esquecermos de vez a desvalorização cambial e os produtos de trabalho intensivo que só nos levam a agudizar a pobreza. O euro é o único instrumento que nos faz mudar o modelo económico. E também, o euro, é o cimento agregador da Europa. A Europa sempre andou em guerra nos últimos 2000 anos.

      Um dos maiores erros da sociedade moderna é pensar que as atrocidades que foram cometidas no passado jamais voltarão a acontecer. Temos que estar sempre alerta. A Alemanha tem um papel fundamental no redesenhar da Europa, devido à sua hegemonia na Europa. E os alemães têm estado sempre de boa fé, ao contrário dos países periféricos...

      Um grande abraço amigo Vivendi,
      Paulo

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    2. Tudo bem!

      Uma pena que o Paulo não tenha mais tempo para dispender.

      A sua escrita e opiniões são de uma mestria ímpar.

      Obrigado pelo esclarecimento nas questões. a banca portugesa é um case sensitive mesmo. O BCP está sempre travado pelos angolanos e muitos membros do atual governo são acionistas com algum relevo no BCP. (Paulo Macedo, Paula Teixeira Cruz, Miguel Relvas.

      Entendo as suas palavras da importância do € e no modelo económico, agora não vejo como o clube med vai aguentar o choque sem um atitude especial de apoio da Alemanha. A austeridade e o fenómeno "mezzogiorno" nos países do med estão aí para uma década. A Grécia dificilmente se aguenta muito mais tempo no euro.

      Um forte abraço!

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  3. Caro Paulo obrigado por mais 2 artigos.

    Foi com agrado que assisti ao seu regresso!

    Um abraço

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    1. Olá Vazelios,

      Espero que esteja tudo bem consigo.

      Obrigado pelas palavras reconfortantes.

      Um abraço e bom fim de semana,
      Paulo

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  4. Viva,
    obrigado pelo artigo, gostei e de modo geral concordo.
    Fico com pena que o que para mim é mais importante no presente, em qualquer presente, seja sempre dispensado de passagem. Assinala-o logo na primeira frase para logo partir para eventuais soluções que pura e simplesmente não estão ao alcance no presente. E é no presente que estão as dificuldades.
    Falo da "alocação criteriosa dos recursos disponíveis". De Economia na prática.
    Se repararmos na concretização da moeda única, algo que vem sendo pensado e discutido pelo menos nos últimos 45 anos e que só desde a decisão política até ser implementado levou mais de 10 anos, pensar que um Tesouro e Orçamento comuns (na prática um Governo europeu) ou mutualização de dívidas ou esperar que estejamos todos de acordo para tomar medidas concretas ao nível europeu, pensar que isto vai resolver algum problema do presente parece-me do nível de esperar por um Messias.
    Mesmo o BCE só faz sentido enquanto agir perante os números agregados da zona Euro, nada pode ou deve fazer para beneficiar esta ou aquela região em concreto. Há bancos centrais que se intrometem na dinâmica do "crescimento" das suas nações, no caso da Europa isso não existe e pode ter desvantagens de curto prazo mas tem a enorme vantagem de longo prazo de aumentar muitíssimo a responsabilidade de quem gere orçamentos soberanos (o dinheiro dos contribuintes) no espaço euro.

    No presente somos todos nações soberanas, cada uma com as suas variáveis, muitas comuns, muitas outras nem por isso. Em cada país há decisões políticas ou económicas a tomar e elas podem ser melhores ou piores sendo as melhores precisamente as que representam a melhor possível alocação dos recursos escassos à disposição de cada decisor.
    Repare que mesmo a austeridade, que defendo, não tem sucesso garantido a não ser neste enquadramento. Um país tem muitas variáveis e se (por hipótese) falarmos de uma austeridade em que se aumentam impostos, reduzem benefícios sociais, etc de um lado enquanto se continua a desbaratar dinheiro dos contribuintes em coisas não justificáveis, o resultado pode ser desastroso.

    O "crescimento" sustentado que todos desejamos, no fundo depende de variáveis em que não pensamos tantas vezes e que estão muito mais ao nosso alcance para serem alteradas do que preferimos pensar. Acrescento ainda que até sobre a própria fórmula do "crescimento" seria útil agir. A Alemanha pouco "cresce" enquanto bate sucessivamente recordes de exportações, de lucros das suas principais empresas, atinge mínimos históricos de desemprego e redução das diferenças entre ricos e pobres. Não lhes tem feito muita falta o "crescimento" representado por ter 2 iPads em vez de 1. Como muito bem assinala, "crescimento" pode ser gerado artificialmente por manipulações monetárias ou por exemplo gerando consumo suportado em crédito. E isto é apenas contraír uma conta que se paga mais tarde. O Alemão saber que isto é assim faz com que tome decisões mais criteriosas e construa um sistema em que os recursos de todos não sejam gastos em objectivos de curto prazo, independentemente dos partidos no governo.
    É por aí que todos deviam começar.
    Desculpem o longo "manifesto", mas fica o contributo para o tema.
    Cumprimentos,

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Olá,

      Nesta fase não aflorei a "alocação criteriosa dos recursos disponíveis", porque está conotada, essencialmente, com decisões políticas. E eu quero deixar de lado sempre a política. Pelo menos nesta fase. Tinha muito a escrever a esse respeito...

      Tenho um artigo para publicar, sobre o "que será o futuro de Portugal, da Europa e do resto do mundo?", mas tento não abordar questões e decisões políticas, mas opções da sociedade...

      Cumprimentos,
      Paulo Rosa

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Naturalidade Angolana
Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto.